'Podem me chamar de Didi!'







Para quem cresceu nos anos 80, Os Trapalhões foram parte importante da nossa formação. Didi, Dedé, Mussum e Zacarias foram os protagonistas dos filmes mais assistidos pela criançada daquela década. Com o passar dos anos, a morte de Mussum e Zacarias, o quarteto foi desfeito e restou Renato Aragão na TV.
Para as gerações seguintes, Didi não teve o mesmo prestígio. A audiência de seus programas nunca mais foi a mesma dos tempos de Trapalhões, ele ficou mais marcado pelo Criança Esperança e virou até chacota com a repetitiva "No céu tem pão? (procure no Youtube, caso não conheça).
No imaginário popular, Renato Aragão se tornou um ser inatingível, arrogante, que não permitia ser chamado por Didi. Na Globo, não tinha mais espaço. Precisou estrear no teatro com mais de 80 anos para voltar e ser elogiado. Que personagem!
Dito isto, surge a vontade de conversar com ele. Em algumas trocas de e-mail, diretamente para sua mulher, rapidamente conseguimos marcar o papo. Tensão! Conversar com um ícone, que já tem sua imagem construída negativamente, onde certamente eu seria talhado nas minhas perguntas...
Chegou o dia, a hora, porta do camarim da Cidade das Artes se abre e sou recebido pela imponente Lilian Aragão. Sentado numa poltrona, sozinho, está Renato Aragão. Simpático, se levanta e me recebe com um sorriso e um abraço. Nada que me tirasse da cabeça que seria um papo chato, sem qualquer afinidade. Até que já na primeira resposta, Renato começa a se sentir à vontade e o papo flui como se fôssemos velhos amigos.
Eu pergunto, ele responde,  nós rimos, eu gargalho, ele chora, eu me arrepio. Que emoção ter ficado diante daquele mito, de um cara tão controverso, que faz rir, que faz boas ações, mas que é tão mal falado. E que alegria por ter saído de lá com uma matéria tão legal para os leitores do Meia Hora.
Renato Aragão disse que poderia, sim, ser chamado de Didi. Falou palavrão, gargalhou e por umas três ou quatro vezes, chorou. Belíssimo papo. Que energia tem aquele senhor, a cara do povo nordestino, que venceu e vence até hoje batalhas para que o espetáculo nunca pare.
Foi especial esse dia. Inesquecível!

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