MARIA FERNANDA CÂNDIDO

A elegância de Maria Fernanda Cândido se confunde com a de Joyce, sua personagem em "A Força do Querer". Nem mesmo quando o marido Eugênio (Dan Stulbach) a traiu com a "amiga" Irene (Debora Falabella), a personagem perdeu a pose. 
Quer dizer, na já inesquecível cena em que dá um corretivo na falsiane no banheiro, com a ajuda de Ritinha (Isis Valverde), a madame desceu rapidamente do salto. Mas só mesmo porque Irene a provocou muito, inclusive pegando à força o seu sapato de grife e a provocando até o limite.


Em três encontros com a atriz, o blog conheceu um pouco mais da artista que só mesmo na elegância se assemelha à personagem: 
"Eu não me pareço em nada com ela" faz questão de afirmar a bela, completando:
"Ela é muito atenta para as exigências da realidade. Joyce foi criada de maneira muito tradicional. Os valores dela são muito tradicionalistas. Por isso ela tem esse perfil de dedicação à família".

                         

A avaliação que a personagem é fútil não é compartilhada pela intérprete da personagem:
"Ela é muito ligada à estética. Mas acho que acaba não sendo bem compreendida. Ela tem uma relação forte com a autoestima" ressalta a igualmente elegante Maria Fernanda. 
O jeito preconceituoso em alguns momentos, como na questão com a nora Ritinha e, principalmente, nos conflitos com a filha Ivana (Carol Duarte), antipatizaram a personagem. Mas a atriz acredita que o público sinta, no fundo, afeto por Joyce.
"Quando eu encontro as pessoas eu percebo que elas entendem que a Joyce é uma mulher que tem muitas limitações. Mas o público também percebe que ela é uma pessoa do bem, que não sente prazer em fazer o mal" defende. 
Mas a defesa não esconde o lado intolerante da madame: "Joyce só consegue entender que os bons modos são os dela e não aceita que outra cultura também possa tê-los. Ela não é aberta para a diversidade. Hoje em dia queremos conviver com a diversidade, porque ela enriquece, amplia os horizontes. Eu penso assim, mas a Joyce, não. Ela vive simplesmente o conflito com o diferente".


Neste momento, a trama principal de Joyce é o conflito com a filha Ivana, que se descobriu trans e começa o processo de transformação física, para incompreensão dos pais. 
"A Gloria Perez (autora da novela) fez um trabalho muito delicado. Ela teve o cuidado de apresentar primeiro a Ivana ao público e depois que começou a entrar na questão da transexualidade. A Joyce não é uma mulher que tem um conhecimento sobre a questão do transgênero. Assim como nós, como sociedade, estamos hoje entendendo melhor essa questão. Há alguns anos se você parasse para conversar sobre isso, muita gente não iria entender. Hoje, as pessoas conhecem melhor. E a Joyce representa essa parcela da população que não conhece sobre esse tema".


Com a novela se encaminhando para sua última parte, Maria Fernanda torce para que a família de Joyce e Eugênio consigam, enfim, viver tempos de paz. "Gostaria que a família terminasse feliz. A Ivana poderia se encontrar, e a Joyce aceitá-la da maneira como ela é. Vai ser bom também se ela aceitar a Ritinha e quem sabe, se der para perdoar o Eugênio. Torço pra ela aceitar o carimbó e também queria que a Joyce fosse na Estudantina", finaliza com bom humor. 

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